Imagem: "Morphologie" do crânio de Freud, por Salvador Dalí
A psicanálise e a sua raiz no jardim do pensamento:
A psicanálise nasceu no final do século XIX, através da genialidade de Sigmund Freud; o primeiro sucesso dentro da teoria psicanalítica foi o livro: “A interpretação dos sonhos” (1900). Na alvorada psicanalítica, Freud e a sua criação receberam diversos ataques, a psicanálise era vista por alguns como charlatanismo, era tida como algo que não conseguiria plantar suas raízes no terreno do jardim do pensamento. Mas os críticos estavam errados, não só a psicanálise plantou as suas raízes no jardim do pensamento, como criou o seu próprio jardim; se transformou em uma ferramenta de investigação e hoje é uma lente necessária para olharmos melhor os fenômenos oriundos do século XXI e seus desdobramentos.
A psicanálise é fundamental para termos uma melhor leitura da filosofia contemporânea, autores como Jacques Derrida, Albert Camus, Jean-Paul Sartre e diversos outros foram influenciados pela psicanálise em seus escritos. A arte de modo geral e a literatura são outros campos de extrema presença psicanalítica; diversos escritores e cineastas tem em seu horizonte a psicanálise como combustível criativo e para seus livros, obras de arte e filmes. O movimento Surrealista foi um importante movimento artístico que se nutriu da psicanálise para a elaboração de seu arcabouço. No caso do cinema, um cineasta que marcou a História da sétima arte é o roteirista e diretor Woody Allen: em seus filmes podemos perceber a presença pujante da psicanálise e seus conceitos.
A beleza da psicanálise está contida na multiplicidade de caminhos que ela toma em diferentes campos: temos a psicanálise como prática na clínica psicanalítica, como teoria, como combustível criativo nas artes e na literatura, dentro da Filosofia como ferramenta para uma melhor elaboração do pensamento filosófico (principalmente no horizonte da filosofia do desejo), e também como ferramenta de análise social e política.
Precisamos atentar para a utilização da psicanálise enquanto ferramenta clínica: a psicanálise não está preocupada em “curar” ninguém, como é muitas vezes dito erroneamente. Ela não tem essa prepotência e pedantismo, ela busca empurrar o analisando para-além das suas clausuras sintomáticas, para o impossível, ela busca um além-mais, nunca uma resposta definitiva. A psicanálise busca a quebra de certezas absolutas e a quebra de identidades, ela é um tsunami que engole a cidade das fantasias de realidades constituídas e por isso é muitas vezes dolorosa e incômoda.
A psicanálise é um periscópio apontado para o horizonte humano. Como pensar o conturbado século XX sem a lente da psicanálise? Não é possível! Assim como não será possível pensarmos o século XXI sem ela.
Texto por: Gabriel de Lima (@filo.analise)

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