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Mostrando postagens de abril, 2023
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A Metamorfose  Do ponto de vista filosófico, a questão da singularidade presente na obra "A Metamorfose" de Franz Kafka está relacionada com a problemática da existência individual em um mundo opressivo e sufocante.  A transformação claustrofóbica de Gregor em um inseto gigante pode ser interpretada como uma metáfora para a alienação do indivíduo em relação, primeiramente e acima de tudo, para consigo mesmo.  Antes de sua metamorfose, a personagem principal, Gregor, vivia para sustentar sua família. Sofria muita pressão em seu trabalho e com isso não conseguia notar a si mesmo. Portanto, sua própria identidade, desejos e necessidades acabavam sendo abandonadas ou completamente inexistentes. Após a transformação, Gregor é confrontado com a sua nova condição e precisa repensar a sua relação consigo mesmo e com o mundo. É a partir daí que ele começa a perceber-se e a olhar para si. Esse processo de autoconhecimento e autodescoberta o leva a questionar a sua própria existênci...
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  Favela Fantástica A favela é um problema social e uma potência cultural, ambas dessas facetas, se misturam e fazem a massa de um bolo que não é repartido igualmente, pelo contrário, nós; o povo favelado (diversos em nossa existência, mas iguais em nossa exclusão) ficamos com as migalhas de um bolo que possui em sua cobertura o nosso suor sagrado. O cotidiano do favelado é duro, vivemos em um universo onde estamos inseridos em uma "realidade fantástica" digna de Gabriel García Márquez. A favela é um reino mágico, em dias de invasão os corpos brotam do chão como batatas doces e em alguns de seus becos podemos vislumbrar uma Veneza carioca, mas nesses dias, essa Veneza não é banhada pelo esgoto que cronicamente fica exposto em partes de nosso solo favelado e sim pelo sangue de máquinas desejantes desligadas em sua fonte. Quero falar como as pessoas que habitam esse solo violado e esquecido podem encontrar caminhos para emanar suas pulsões, quero falar de como a favela é...
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  O NADA Quando há uma investigação consciente, abrindo um passo de cada vez, usando o pensamento nessa busca por um ‘eu’ e com a razão como instrumento dessa pesquisa, pode-se chegar ao porquê desse eu. Nas meditações, Descartes, com o método da dúvida hiperbólica, duvida até da própria existência e chega à conclusão de que, quando duvida, pensa, e pensando, existe. Quem pensa é um ‘eu’. É uma limitação pensar a realidade somente através de um cogito. Poderíamos pensar em uma liberdade sem essa base, essa certeza de um eu. Pois é, que eu é esse? Assim se cria o mito da razão.           Ao pensar o ‘nada’ (usando o pensamento oriental de Nishitani, que traz o conceito de Niilismo, onde afirma-se que através de uma busca e seguindo essa investigação através do limite da coragem. Quando há o rompimento com esse limite, há o esvaziamento da consciência) ele descreve como um grande branco do nada é estar na ausência de qualquer referência, seja material ou...
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  Será que não podemos entender a vida humana como uma grande odisseia ao que nunca vamos ter? Ora, vejam bem, nossas vidas não passam de momentos em que queremos algo e momentos em que finalmente alcançamos esse algo. Posso trazer diversas situações que comprovam o que digo, mas a verdade é que basta que todos nós olhemos para vossas vidas. Procuramos um sentido para a vida porque agir sem objetivo não basta. O que nos move é aquilo que nos falta. A vida só é valiosa porque acaba e um prato de arroz é um banquete ao indivíduo que está há dias sem comer. Caso tivéssemos tudo o que queremos, não mais teríamos o que querer e, por isso, a vida não seria nada. A prova disso é o fato de que vivemos para conquistar o que queremos. Muitos são os que, no leito de morte, sentem-se tranquilos por terem conseguido fazer o que se queria em vida, e agora, podem morrer em paz.  Queremos o sentido da vida, queremos suprir nossas necessidades básicas e nossos prazeres. Mas, isso basta? A vida...
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  Problemas psicológicos e expressão em Freud A psicanálise de Freud se baseia no ponto de que o desejo é a forma ontológica do ser humano, muito antes da razão. Pode-se fazer uma analogia que é quase como uma máquina que passa se apossando de tudo e sempre quer mais. Porém, por mais que o desejo se apresente de tal forma, não é sempre possível satisfazer tudo o que ele exige, podendo existir limitações culturais, sociais ou morais. Essas podem ter um grande impacto na saúde mental quando há repressão intensa e contínua.  Boa parte dos processos psicológicos analisados pelo pensador acontecem de forma inconsciente e não temos acesso a esses pensamentos e desencadeamentos de ligações. A moralidade pode afetar de forma direta como nos relacionamos com nosso próprio processo de exteriorização e interiorização do desejo e podendo, em certos casos, causar conflitos internos, ansiedade, tristeza e outros problemas psicológicos. Durante parte de seus estudos, foram analisados os ...
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  Spinoza - Nada além... Uma grande inovação no universo da metafísica pode ser atribuída à sua tese monista, segundo a qual há apenas uma realidade infinita, que ele chama de Deus, Natureza, Substância. Essa realidade infinita é responsável por produzir tudo o que existe e não se separa daquilo que produziu, sendo a causa imanente de todos os seus modos, incluindo o ser humano. Ao contrário do pensamento teológico-religioso, a concepção de Deus espinosana recusa qualquer ideia de transcendência ou antropomorfismo, rejeitando a imagem de um legislador moral que governa o mundo a partir de fora. Para Espinosa, a Substância Infinita (Deus) é autossuficiente em sua existência, o que significa que ela não precisa de nada além de si mesma para existir. Além disso, a essência dessa substância é a potência, que ele entende como uma atividade inesgotável que leva à produção de infinitas modificações (coisas singulares). No caso dos modos finitos, a potência de Deus/Natureza se...