Imagem: Vitral da Catedral de Berna Um profundo descontentamento O mundo é nossa representação – diz Schopenhauer. O mundo é como um quadro da realidade. A esta obra dá-se tudo o que se deseja, tudo o que se possui psiquicamente. Algumas partes agradarão. Mas, infelizmente, a obra como um todo não. Isso porque nada no mundo é suficiente, sempre caberá mais uma pincelada, um contorno, uma cor, uma sombra, uma ideia, uma personagem. Buscar-se-á sempre algo mais, por excelência. Por conseguinte, enquanto se pinta este quadro, há duas questões, no mínimo. A primeira: há exageros. Pode-se querer voltar atrás, apagar o que foi pintado. Porém, existem coisas que jamais se podem apagar; pode-se até pintar outra por cima – que não irá satisfazer plenamente –, mas aquilo que já foi, embora tenha-...