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Mostrando postagens de maio, 2023
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  A Rede da Vontade A vontade move toda uma rede interconectada que também nos impulsiona. Cada nó representa uma singularidade ligada a outras através de conexões simbolizando interações e afetos mútuos. Essas conexões podem ser de dependência, competição, cooperação, entre outras. A Rede da Vontade está constantemente em fluxo, com os nós se movendo e se rearranjando à medida que os desejos e impulsos singulares são afetados. Os nós podem representar desejos específicos, como a fome, a sede, o desejo sexual, a busca por poder ou qualquer outra motivação que impulsiona os seres vivos. Ademais, a Rede de Vontade é caracterizada pela cegueira e irracionalidade. Os nós e as conexões não possuem uma compreensão consciente das implicações de suas ações. Eles simplesmente respondem aos impulsos e desejos que emergem, buscando atender às suas necessidades imediatas, sem racionalizar. Essa Rede faz emergir comportamentos tanto conflituosos como afetivos. Por um lado, os nós singula...
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 É preciso saber viver? Há uma música da banda Vespas Mandarinas cujo título é “Já não sei o que fazer comigo”*.  . É difícil não se identificar com os versos da música. A primeira estrofe, por exemplo, diz: Já tive que ir a missa obrigado/ Já tentei ser um homem casado/ Já aprendi a fingir meu sorriso/ Já fui sincero e já tive juízo/ Já troquei de lugar minha cama/ Já fiz comédia, eu já fiz drama/ Já ouvi cada voz que me chama/ Eu já fui bom e já tive má fama. . A música retrata uma experiência muito comum para os indivíduos de uma espécie cuja programação biológica veio quebrada. . Ao contrário de muitos outros animais, nós chegamos ao mundo invariavelmente prematuros, inteiramente desamparados.  . A programação biológica não dá conta de nos instruir corretamente. Não sabemos o que comer, não sabemos o que é perigoso e o que não é, não sabemos quem é amigo e quem é inimigo, não sabemos quem é parceiro sexual e quem não é, não sabemos do que gostamos e do que não gostamo...
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  Sim, mas o que é a filosofia? Uma própria forma de perguntar o que é a filosofia pode já deixar vislumbrar o que só a filosofia pode ser: filosofia, se diria, pode ser a busca pelo significado - ou pelo sentido. A busca pelo sentido ou pelo significado é exatamente a incessante busca que todo ser linguístico, ao menos a partir do regime do alfabeto, faz quando se defronta com qualquer coisa, seja um objeto, um ente ou uma palavra. Desde a chamada virada linguística, no século passado, "sentido" e "significado" passam a ser diretamente ligados à dimensão da palavra. As palavras, poderíamos dizer, existem na medida em que têm ou não um significado e, geralmente, elas se dizem em vistas do seu sentido. O significado de uma palavra muda de acordo com a realidade e muda o tempo todo para cada um que o significa, muda de acordo com o sentido que lhes dão. Não pode haver apenas um sentido ou significado para uma palavra porque esse significado nunca é totalmente p...
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 O que é o amor para você? O amor é um sentimento que serviu de combustível para músicas, poemas e assassinatos ao longo da História da Humanidade. Muitas vezes o amor é tido como algo divino e maravilhoso, mas a psicanálise nos mostrou que nada é divino e muito menos maravilhoso. Não existe satisfação absoluta em nada, muito menos em uma relação amorosa, nem mesmo nessas relações o gozo pode ser absoluto, pois o gozo absoluto é impossível. Se prestarmos atenção em nosso cotidiano, veremos que o amor que nos venderam nos filmes de Hollywood e nas igrejas, simplesmente não existe. Não existe um felizes para sempre que se apresente de forma a priori, muito menos príncipe e princesa encantada, não existe um ser divino. Somos todos humanos, demasiadamente humanos.  O que existe nesse sentimento que chamamos de amor é um encontro de singularidades que em algum momento da vida se chocaram em um encontro de pontos de uma grande rede e desse momento em diante resolveram coexistir comp...
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  Uma questão que muito me interessa é aquela que foi trazida por Schopenhauer na elaboração da imagem do pêndulo: a dinâmica existente entre a ânsia de ter e o tédio de possuir. Todos nós temos, de certo modo, uma familiaridade com esse movimento pendular entre ânsia e tédio, entre o querer ter e a indiferença da conquista. Podemos dizer, aliás, que toda a história da humanidade se desenrolou através dessa dinâmica. Essa dinâmica dá conta de explicar a incessante conquista romana, o colonialismo, o capitalismo… É levando em conta a vontade e sua dinâmica que conseguimos explicar os absurdos cometidos por sociedades que se consideravam plenamente racionais. É também por essa dinâmica que podemos entender as diversas situações "paradoxais" em que nos encontramos durante nosso tempo de vida. A importância de entender o funcionamento dela se dá pela facilidade de acreditar em uma certa satisfação completa ao adquirir o objeto desejado, quando, na verdade, a nossa vontade, a noss...
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  À medida que as distinções entre o humano e o não humano, o individual e o coletivo, o natural e o cultural, o orgânico e o inorgânico são dissolvidas, novas formas híbridas e derramadas emergem. A realidade, assim, se torna cada vez mais estranha e desafiadora para a nossa compreensão. Nesse contexto, é fundamental reinventar o horizonte especulativo, a fim de que ele nos proporcione os subsídios necessários para uma nova compreensão do real. Uma compreensão que leve em conta a relacionalidade, processualidade e dinâmica interativa entre elementos heterogêneos, atribuindo a essas relações um peso ontológico decisivo. Para compreender a natureza em toda a sua complexidade, é necessário abandonar reducionismos e uma perspectiva antropocêntrica. Devemos considerar que somos o resultado de uma conjunção de diversos efeitos, eventos, ocasiões e processos, sejam eles químicos, físicos, bacteriológicos, cosmológicos ou psicológicos, que interagem em uma rede complexa de relações. Nessa...