Os Elefantes
Culturalmente os elefantes remetem a características majestosas, de poder e força, mas, principalmente, por serem animais dos mais racionais. Partindo, pois, dessa obra, “Os Elefantes” (1948), pode-se desconstruir essa visão retratando-os como majestosos, porém dotados de pernas finas, quebradiças, com tendência a não suportar sua imponência – análoga à razão.
Primeiramente, quero fazer referência à cultura da razão – concebida com a Filosofia tradicional e a religião, mantendo-se até os dias atuais – onde se tem a razão como intrínseca, majestosa e irrevogável.
Compará-la, neste caso, ao elefante bravo, grande, íntegro e coberto pelos lençóis da sapiência, seria um erro. Porque, nota-se: seus pilares são finos, esponjosos e falíveis. Ademais, o que se pode dizer da razão não seria nem comparável, analogamente, aos elefantes, mas ao fundo da imagem: angustiante e vazia. Quiçá as pernas destes elefantes poderiam ser dadas à razão.
De fato, o que chamamos de razão são somente pinturas, ou melhor, fantasias que nossos desejos imprimem como fundo de uma realidade: algo inóspito; céu com cores quentes em degradê; “chão de argila” – fundamento frágil, insustentável.
Já a vontade – ou desejo –, sim, será melhor representada na imagem dos potentes e desenfreados elefantes. Agora, suas pernas finas, quase insustentáveis, são também desejo? Sim. Pelo fato de elas os moverem, porém possuindo limites; até onde elas aguentam, até onde é possível – não há limites para os desejos, porém não podemos tê-los todos; podemos em parte e até onde der.
Por fim, há duas imagens – quase que imperceptíveis – do que parecem ser humanos. Estes são crentes na racionalidade. Temos aqui a amostra de sua pequenez diante de toda potência da vontade (retratada pelos elefantes); pessoas fixas, porém, em um chão de argila; tendo como “fundo de quadro”, o fantasioso, o surreal.

Comentários
Postar um comentário