Goya - O sonho da razão produz monstros
A loucura do libertino
A ideia da loucura percorre toda a história do pensamento humano e sempre vem acompanhada das relações políticas e científicas que determinadas épocas atribuem a ela. Atualmente, a psicologia, junto da psicopatologia, vem mudando a forma que se encara a loucura, tentando tirar a forma pejorativa que lhe é atribuída e estudando as dinâmicas e as nuances dos problemas psicológicos.
Em tempos anteriores não existia uma tentativa de entender o funcionamento dos chamados "loucos". As pessoas eram taxadas como tal e eram mandadas para casas de internação que surgiram como uma resolução de problemas que não queriam ser enfrentados, como a lepra ou as doenças venéreas. Eram jogados e esquecidos nesses locais que foram se desenvolvendo para um ambiente de reclusão e exclusão todos aqueles que não participavam dos comportamentos normalizados ou de alguma maneira apresentavam uma característica de enfrentamento político.
A ideia que procuro enfatizar é de uma época específica da reclusão, quando os libertinos e os devassos foram considerados também loucos, sem nenhum motivo registrado além da vontade de não se identificar com os comportamentos de produção e cidadania ativa. Foram jogados nesse campo abstrato do comportamento insano. O comodismo e a libertinagem foram colocados como partes de um campo de desatino, aqueles que não queriam viver como os outros ou apresentavam formas de viver de seus prazeres que não os permitidos eram vistos como um monstro a ser combatido.
Vários autores surgiram nesse campo do desatino: um exemplo deles é o Marquês de Sade que, com toda a sua libertinagem sendo escrita, tenta estabelecer uma filosofia libertina, que surge apenas para satisfazer e demonstrar a libertação de seu desejo. Foi denunciado e confinado pelos seus atos e continuou escrevendo sobre o tema mesmo após liberto.
Encarando a questão do desejo nos autores libertinos, quem o escreve trata o assunto com seriedade, conta detalhes dos atos e procura estabelecer uma relação com a veracidade dos fatos, demonstrando que existe uma relação de extrema pessoalidade com o assunto. Não necessariamente o autor tenha contato direto com as ações, mas a forma de colocar para fora pode ser vista como uma ação pulsional, procurando externalizar o instinto em formas de prazer que não limitadas à reprodução, como era esperado dos atos sexuais até então.
Texto por: Lucas Cobra (@lucas_cobra)

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