Problemas psicológicos e expressão em Freud
A psicanálise de Freud se baseia no ponto de que o desejo é a forma ontológica do ser humano, muito antes da razão. Pode-se fazer uma analogia que é quase como uma máquina que passa se apossando de tudo e sempre quer mais. Porém, por mais que o desejo se apresente de tal forma, não é sempre possível satisfazer tudo o que ele exige, podendo existir limitações culturais, sociais ou morais. Essas podem ter um grande impacto na saúde mental quando há repressão intensa e contínua.
Boa parte dos processos psicológicos analisados pelo pensador acontecem de forma inconsciente e não temos acesso a esses pensamentos e desencadeamentos de ligações. A moralidade pode afetar de forma direta como nos relacionamos com nosso próprio processo de exteriorização e interiorização do desejo e podendo, em certos casos, causar conflitos internos, ansiedade, tristeza e outros problemas psicológicos. Durante parte de seus estudos, foram analisados os casos de histeria em mulheres consideradas doentes, que apresentavam sintomas físicos sem necessariamente entender o que lhes acontecia, até começar a compreender como um processo interno.
A falta de entendimento por parte dos médicos da época inflavam ainda mais as preocupações sobre o sintoma e podia mudar a forma que elas enxergavam seu verdadeiro eu, o que pode levar aos sentimentos de frustração, impotência e até perda de propósito na vida.
Além disso, muitas podem ser as formas de se analisar e interpretar o desejo e os seus impactos no cotidiano. Uma delas é especialmente o contexto da sexualidade, que em muitas culturas se encontra em permanente estado de repressão, além do impacto que expressar a sexualidade terá sobre o psicológico e a moral de uma pessoa. O desejo de poder também pode ser restringido por questões relacionadas a gênero, classe socioeconômica e outros fatores sociais. Esse processo tem o potencial de produzir inúmeros mecanismos de defesa que, por sua vez, afetam a saúde mental.
É vital enfatizar que suprimir um desejo não é necessariamente uma coisa ruim, ao contrário, o excesso e a natureza dessa supressão é o que deve ser considerado. De alguma forma, todos experimentam a supressão de seus desejos e mudam as formas de se expressar para possibilitar isso, bem como a possibilidade de comportamentos grupais.
Uma forma de expressar um desejo reprimido pode ser pela arte. Um exemplo disso é o quadro “O Grito”, de Edvard Munch. Por mais que ele não trate de histeria em seu quadro, ainda sim fala de angústia. A figura central na pintura, com a boca aberta em um grito silencioso, pode ser vista como uma representação simbólica da agonia emocional que muitos sentem ao não entender suas repressões, gerando uma grande repercussão e muitas tentativas de recriar o quadro com outras formas de sentir.
Texto de: Lucas Cobra (@lucas_cobra)
Imagem: Edvard Munch - O Grito

Comentários
Postar um comentário