Spinoza - Nada além...
Uma grande inovação no universo da metafísica pode ser atribuída à sua tese monista, segundo a qual há apenas uma realidade infinita, que ele chama de Deus, Natureza, Substância. Essa realidade infinita é responsável por produzir tudo o que existe e não se separa daquilo que produziu, sendo a causa imanente de todos os seus modos, incluindo o ser humano.
Ao contrário do pensamento teológico-religioso, a concepção de Deus espinosana recusa qualquer ideia de transcendência ou antropomorfismo, rejeitando a imagem de um legislador moral que governa o mundo a partir de fora.
Para Espinosa, a Substância Infinita (Deus) é autossuficiente em sua existência, o que significa que ela não precisa de nada além de si mesma para existir. Além disso, a essência dessa substância é a potência, que ele entende como uma atividade inesgotável que leva à produção de infinitas modificações (coisas singulares).
No caso dos modos finitos, a potência de Deus/Natureza se expressa como um esforço em perseverar para em seu próprio ser. Isso se deve, em parte, ao fato de que, ao contrário da Substância Infinita, que só é determinada por sua essência e não sofre nenhum constrangimento, as coisas naturais - incluindo os seres humanos - estão constantemente interagindo, relacionando-se, conflitando, extraindo energia do ambiente, disputando espaço... Assim, embora as coisas finitas sejam expressão da potência da realidade infinita, elas se expressam através de um esforço permanente para perseverar e prosperar em seu próprio ser (Conatus).
Portanto, o mundo dos modos finitos é caracterizado pelo acréscimo e declínio de potência, e pelas relações que podem favorecer ou entravar o esforço de todas as coisas para perseverar em sua natureza.
Como podemos expandir nossas possibilidades de pensamento ao compormos com Espinosa? De que forma seu monismo pode nos auxiliar na reflexão sobre a existência e na forma como nos relacionamos com outras formas de vida, incluindo as não-humanas, bem como outras expressões da realidade única?
Texto por: Esdras Guedes

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