Uma experiência Estética do viver?


A vida é um absurdo completo como nos mostrou o filósofo absurdista Albert Camus. Nada faz sentido nessa existência, não nascemos com um manual de instruções nos ensinando como viver e muito menos nos apontando o sentido dessa vida. A vida é nada mais que o intervalo de tempo entre o primeiro choro e o último suspiro.


É nessa existência sem sentido que nasce uma liberdade avassaladora e visceral, a nossa condenação à liberdade pode nos colocar em uma situação de possível contemplação do viver ou de consumidores vorazes de discursos vazios com teorias furadas de receitas "perfeitas" mostrando o que fazer para termos uma vida de comerciais de margarina ou de carro.


Viver é experienciar a existência, um professor de Filosofia uma vez me disse que a vida é uma experiência estética. E essa me parece uma boa forma de olharmos para o ato de viver,  experienciando o mundo e a nossa relação com ele, tocando os lábios da tragédia e abraçando o riso.


Uma experiência Estética do viver é algo que nos transporta para o alto de um penhasco onde você sabe que vai cair e na queda você vai passar por coisas maravilhosas e atormentadoras e vai apreciar essas coisas até retornar ao inorgânico no momento em que a queda cessar. Agora viver norteado por receitas de vida que se dizem perfeitas é pular do penhasco amarrado a uma corda poida acreditando que você vai se salvar e nos primeiros segundos de queda ao perceber que a corda vai romper, o que fica é o desespero e o arrependimento que te impede de ver a poética da queda.


Gabriel de Lima.

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